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Futuro dos Seguros

O caminho do futuro nos seguros (Parte 3/3)

de Manuel Leiria / 2. Fevereiro 2020

Este ciclo, dedicado a ‘o caminho do futuro nos seguros’ fica assim completo, depois da descrição das tendências de caráter genérico, no primeiro artigo, e das mutações internas das seguradoras, abordadas no segundo texto.

 

O aumento da presença das FAANG

Os grandes gigantes tecnológicos, especialmente a Amazon, Apple e Google, têm vindo a realizar projetos e a estabelecer parcerias na indústria seguradora com o objetivo de aperfeiçoarem os seus modelos de negócio. Atente-se aos seguintes exemplos:

  • Os fortes investimentos, amplamente publicitados, da Google, no desenvolvimento de tecnologias de suporte à indústria seguradora. É, por exemplo, o caso do projeto Nightingale, através do qual são obtidos e tratados os dados de milhões de cidadãos Norte-Americanos.
  • A importância que os produtos Apple já têm em vários ramos de seguro, nomeadamente nos seguros de saúde.
  • As parcerias da Amazon com diversos players para o desenvolvimento de plataformas de comparação de preços, ou o projeto “insurance digital storefronts”, desenvolvido em parceria com a Travelers, já em produção em vários estados Norte Americanos.

Mas, mais revelador do interesse destas organizações no mercado segurador do que as suas iniciativas individuais é o projeto “Connected Home”. Trata-se do estabelecimento de um protocolo entre os ‘assistentes pessoais’ Siri, Alexa e Google, que assegura a sua mútua compatibilidade. Desta forma, os serviços desenvolvidos por cada uma destas empresas ficam disponíveis aos clientes das restantes plataformas.

As vantagens competitivas, especialmente nos seguros mais simples “bare-bones”, orientadas para os jovens ‘nativos digitais’ ficam, assim, cada vez mais exclusivas destes gigantes tecnológicos.

Relativamente a outros segmentos de clientes, com necessidades mais complexas e sofisticadas, as FAANG não dispõem (ainda) de argumentos que os tornem uma ameaça direta, de curto prazo, aos players tradicionais.

O ativismo social e ambiental

O tema do ‘desenvolvimento sustentável’ é incontornável na gestão das seguradoras, em qualquer linha de negócio, independentemente da sua dimensão. Enquanto investidores institucionais de referência, as seguradoras estão obrigadas a demonstrar publicamente a sua orientação para a promoção dos fatores de sustentabilidade sociais e ambientais.

Na Europa, o Plano de Ação “Financiar um Crescimento Sustentável”, estabelecido pela Comissão Europeia, determina claramente o caminho que deve ser seguido, em termos da reorientação dos fluxos de capitais para investimentos sustentáveis.

Mas também os temas da diversidade e inclusão estão cada vez mais presentes na realidade das seguradoras. Vários relatórios (e.g. “Achieving an inclusive working environment”, do CII, entre outros) revelam o caminho que as seguradoras precisam de percorrer em domínios como a integração de pessoas com deficiência ou a igualdade de género.

A co-liderança da iniciativa das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, assumida pelo CEO da Allianz, Oliver Bäte, é só mais um (bom) exemplo do grau de envolvimento que é agora exigido às seguradoras e aos seus stakeholders.

A universalização da indústria

Estima-se que o mercado mundial de seguros, especialmente nos ramos não-vida, continue a crescer em termos reais, nos próximos anos. Uma parte relevante deste crescimento tem a sua origem nas economias em desenvolvimento. Os mercados asiático e da américa latina, em particular, deverão registar, na próxima década, taxas de crescimento 300% superiores às das economias desenvolvidas.

Uma das razões para o crescimento do negócio segurador nestas regiões é o microseguro. Esta abordagem tem permitido que muitos milhões de pessoas e de pequenos empresários, que nunca tinham contratado qualquer seguro, estejam atualmente a subscrever as suas primeiras apólices.

O microseguro baseia-se em produtos extremamente simples, orientados à satisfação de necessidades muito concretas, sendo por isso muito baratos. O seu preço muito baixo torna-os acessíveis a segmentos mais abrangentes da população. Ao alargarem significativamente a quantidade de subscritores, diluem o risco, ficando, por isso, ainda mais baratos e, consequentemente, mais abrangentes. É este ciclo virtuoso que tem permitido transformar o seguro num produto cada vez mais universal, à escala global.

Um outro exemplo da crescente, e imparável, globalização da indústria seguradora, é a criação do PEPP, um produto individual de reforma verdadeiramente pan-europeu, atualmente em fase de regulamentação pela EIOPA. O PEPP surge como complemento aos regimes nacionais de pensões, alargando o leque de escolha dos aforradores no que respeita às suas poupanças voluntárias para a reforma.

Para as seguradoras, o PEPP constitui, simultaneamente, uma grande oportunidade e uma real ameaça. É uma oportunidade na medida em que as seguradoras passam a dispor de uma solução inovadora de poupança, que lhes permite fidelizar os clientes atuais e captar novos clientes sem hábitos de poupança. Mas também é uma ameaça para as seguradoras que não se prepararem para esta nova realidade, dada a facilidade com que muitos novos concorrentes, de toda a União Europeia, poderão entrar em novas geografias e conquistar os clientes das seguradoras mais lentas a adaptarem-se.

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